Por: Jeziel da Silva Ramos, psiquiatra.

 “Poucas coisas causam tanta dor nas famílias quanto o drama de ter uma pessoa envolvida com as drogas.”

EFEITOS DA MACONHA (Cannabis sativa)1,2,3,4,5,6,7,8,9,10,11,12

A MACONHA é uma droga psicoativa. É a droga ilegal mais usada no mundo.

A MACONHA é, erroneamente, considerada por alguns como uma droga inofensiva.

O seu uso tornou-se um grande problema de saúde, porque pode causar doenças psiquiátricas.

Seus components químicos agem diretamente no cérebro, e altera a capacidade de pensar, sentir, concentrar, memorizar, analisar os fatos da realidade e julgar.

A MACONHA é uma droga perturbadora do Sistema Nervoso Central, altera o funcionamento normal do cérebro, e pode ser a causa de delírios e alucinações. 

EFEITOS FÍSICOS IMEDIATOS: boca seca, olhos avermelhados e taquicardia (batedeira), aumento do apetite, sonolência, lentificação, diminuição de temperature corporal, alterações de humor: euforia, angústia e ansiedade.

OS EFEITOS CRÔNICOS: diminuição do hormônio sexual masculino (testosterona), impotêcia, infertilidade, câncer de pulmão, diminuição da imunidade.

  Exemplo 1: o usuário da maconha está mais sujeito a contrair câncer de pulmão do que o tabagista pois a fumaça de maconha contêm alto teor de alcatrão (mais que no cigarro comum) e nele existe a substância benzopireno, agente cancerígeno, em quantidade também maior que no cigarro comum.

Exemplo 2: existem pesquisas que a maconha diminui em até 50-60 % a quantidade de testosterona, o hormônio masculino, que pode gerar infertilidade e impotência sexual.

EFEITOS MENTAIS IMEDIATOS: euforia, hilaridade, sonolência, diminuição da tensão, ilusões, paranoia, delírios, alucinações, desorientação no tempo e no espaço e amnesia.

Exemplo 3: uma telefonista de um hotel, que ouvia um dado número pelo fone e no instante seguinte fazia a ligação, quando sob ação da maconha não era mais capaz de lembrar-se do número que acabara de ouvir.

Exemplo 4: um bancário que lia numa lista o número de um documento que tinha que retirar de um arquivo; quando sob ação da maconha já havia esquecido do número quando chegava em frente ao arquivo.

Exemplo 5: Delírio é uma alteração mental pela qual a pessoa faz um juízo errado da realidade. o que vê ou ouve; por exemplo, sob ação da maconha uma pessoa ouve a sirene de uma ambulância e julga que é a polícia que vem prendê-la (delírio de perseguição).

EFEITOS MENTAIS CRÔNICOS: perda do interesse pelas atividades comuns, em favor do uso da droga – desmotivação.

COMO A MACONHA AGE NO ORGANISMO

A maconha age na mesma área do cérebro que a cocaína e heroína.

Atinge os centros de prazer no cérebro, estimulando a produção de um transmissor que atua no controle do movimento, memória e sensação do prazer (dopamina).

Os efeitos de prazer esconde os graves prejuizos que segue o seu uso.

O principal princípio ativo da MACONHA é o tetra-hidrocarbinol (THC), que se deposita na gordura do corpo, onde fica armazenada, e mantem seus efeitos por tempo maior após o seu último consumo.

O USO CONTÍNUO DA MACONHA

Os prejuízos são graves  quando  o uso inicia na adolescência (antes 15 anos de idade), porque o cérebro está em processo de formação até os 21 anos, sendo mais afetado pela substância.

Pesquisas demonstram que adolescentes que usam MACONHA diariamente têm cinco vezes mais chances de desenvolver ansiedade e depressão e três vezes mais chances de desenvolver esquizofrenia e transtorno bipolar.

ANSIEDADE

Quanto maior a quantidade de consumo, maiores as chances do desenvolvimento de ansiedade, irritação, insônia e pânico: disritmia cardíaca, tremores e falta de ar.


DEPRESSÃO

Afeta o humor, causando tristeza, cansaço, desmotivação continua, isolamento social e dificuldades sociais.

ESQUIZOFRENIA

Desorganização do pensamento, surtos psicóticos caracterizados por delírios, alucinações e sentimentos de perseguição. Geralmente as pessoas que experimentam esses sintomas não procuram ajuda e o problema, que antes era temporário, passa a ter consequências de longo prazo.


TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO COM HIPERATIVIDADE (TDAH)

O TDAH tem chances dobradas de ocorrer em pessoas que usam MACONHA. Trata-se de um transtorno que atrapalha a vida escolar e profissional do usuário. A perda da memória recente, diminuição da concentração, prioridade em usar a droga em detrimento de outras atividades sociais.  

Pesquisa feita no Canadá mostrou que 20% dos motoristas envolvidos em acidentes de carro no país possuíam alguma quantidade da MACONHA no sangue (4 vezes mais chances de bater o carro).

SÍNDROME DA ABSTINÊNCIA DA MACONHA

A MACONHA causa dependência e pode ocorrer abstinência (fissura) até um mês após a suspensão do uso: diminuição do apetite, insônia, emagrecimento rápido, agressividade, irritação, agitação e pesadelos.

A maioria dos usuários começa com o uso recreativo, porém a importância da droga na vida do usuário pode crescer e se tornar um papel central = DEPENDÊNCIA.

OUTROS PROBLEMAS CAUSADOS PELA MACONHA

Estudo realizado pela Universidade de Melbourne, na Austrália, mosrou que houve um prejuízo nas conexões entre os dois hemisférios cerebrais, esquerdo e direito.

Pesquisa realizada na Nova Zelândia mostraram que usuários aqueles maconha na adolescência apresentaram níveis menores de QI (inteligência) em sua vida adulta em comparação com a infância.


SOBRE OS  EFEITOS MEDICINAIS DA MACONHA

  1. Glaucoma: o aumento da pressão intraocular pode ser reduzido com os efeitos transitórios do THC. No entanto, medicamentos bem mais eficazes.
  2. Náuseas: O tratamento da quimioterapia do cancer. Hoje, a Oncologia dispõe de antieméticos muito mais potentes.
  3. Anorexia e caquexia associada à Aids: A melhora do apetite e o ganho de peso
  4. Dores crônicas: os canabinoides exercem o efeito antiálgico. O dronabinol, comercializado em diversos países para uso oral, reduz a sensibilidade à dor, com menos efeitos colaterais do que o THC fumado.
  5. Inflamações: o efeito anti-inflamatório pode tratar enfermidades como a artrite reumatoide e as doenças inflamatórias do trato gastrointestinal.
  6. Esclerose múltipla: O THC combate as dores neuropáticas, a espasticidade e os distúrbios de sono causados pela doença. O Nabiximol, canabinoide comercializado com essa indicação não está disponível no Brasil.
  7. Epilepsia: o uso de maconha com teores altos de canabidiol pode reduzir crises epilépticas. Canabinoides sintéticos de uso oral estão liberados em países europeus.

CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES

Os principais avanços do uso medicinal da maconha se concentram no uso de canabidiol (CBD), um dos 113 derivados canabinoides da Cannabis sativa. Porém, ele só pode ser administrado no que se convencionou chamar de “uso compassivo”: quando o paciente — sofrendo de doenças crônicas ou risco de morte — não responde a nenhum outro tratamento tradicional13

É importante salientar que o uso medicinal de qualquer os princípos ativos da maconha são considerados quando preparados farmacologicamente na forma de comprimidos ou soluções e não na forma pura da maconha fumada, que acarretaria o uso associado de todos os 113 derivados canabinoides da maconha. Deve ser considerado, também, que para a maioria destes efeitos benéficos existem medicamentos bem mais eficazes e com menos efeitos colaterais.01

Estima-se que 25% de todos os medicamentos do mercado atual contenham fármacos que sejam derivados direta ou indiretamente de plantas, como, por exemplo, o ácido acetilsalicílico (Salix alba L.), a morfina (Papaver somniferum L.) e a tubocurarina (Chondrodendron tomentosum) Ruiz & Pav114-15-16

OUTRAS INFORMAÇÕS CIENTÍFICAS SOBRE A MACONHA.

  1. American Journal of Psychiatry, o consumo de maconha é mais prejudicial para o cérebro de adolescentes do que a ingestão de bebida alcoólica. Segundo a pesquisa, adolescentes que usam maconha regularmente podem sofrer danos duradouros na capacidade de pensar. (Universidade de Montreal, no Canadá), acompanharam 3.800 adolescentes, acima dos 13 anos, de mais de trinta escolas canadenses ao longo de quatro anos)
  2. Uma pesquisa publicada em junho na revista científica JAMA Psychiatry apontou que pessoas que usam cannabis frequentemente durante a juventude têm maior probabilidade de apresentarem pior desempenho em testes de memória, aprendizado e pensamento complex
  3. Outro estudo publicado recentemente no periódico NeuroImage mostrou que o uso regular da maconha deixa marcas no cérebro, mesmo quando a pessoa não está sob o efeito imediato da droga.
  4. Uma pesquisa de 2014, publicada no The Lancet Psychiatry, concluiu que adolescentes que fumam maconha diariamente têm 60% menos probabilidade de se formar no ensino médio ou superior, quando comparados às pessoas que nunca usaram a droga. 
  5. Um estudo de 35 anos de duração com um grupo de pessoas, publicado em agosto de 2012 em Proceedings of the National Academy of Sciences e financiado em parte pelo National Institute on Drug Abuse (NIDA) e pelos Institutos Nacionais da Saúde (NIH), relatou uma associação entre o uso de cannabis a longo prazo e um declínio neuropsicológico. O estudo descobriu que o uso persistente e dependente de cannabis antes dos 18 anos de idade estava associado a danos permanentes à inteligência, atenção e memória.

      Referências Bibliográficas

  1.  Onaivi, Emmanuel S.; Sugiura, Takayuki; Di Marzo, Vincenzo (2005). Endocannabinoids: The Brain and Body’s Marijuana and Beyond. [S.l.]: Taylor & Francis. p. 58. ISBN 978-0-415-30008-7. Consultado em 18 de agosto de 2013
  2. Hall, Wayne; Pacula, Rosalie Liccardo (2003). Cannabis Use and Dependence: Public Health and Public Policy. [S.l.]: Cambridge University Press. p. 38. ISBN 978-0-521-80024-2. Consultado em 18 de agosto de 2013
  3. Brazis, Madelyn Z.; Mathre, Mary Lynn (1997). Dosage and Administration of Cannabis – Cannabis in Medical Practice: A Legal, Historical, and Pharmacological Overview of the Therapeutic Use of Marijuana. [S.l.]: McFarland. p. 144. ISBN 978-0-7864-8390-7. Consultado em 18 de agosto de 2013
  4. Riedel, G.; Davies, S. N. (2005). Cannabinoid function in learning, memory and plasticity – Handbook of Experimental Pharmacology. [S.l.: s.n.] p. 168:446. ISBN 3-540-22565-X. Consultado em 18 de agosto de 2013
  5. Dale, Jacquette (2011). Cannabis – Philosophy for Everyone: What Were We Just Talking About. [S.l.]: John Wiley & Sons. p. 151. ISBN 978-1-4443-4139-3. Consultado em 18 de agosto de 2013
  6. Room, Robin; et al. (2010). Cannabis Policy: Moving Beyond Stalemate. [S.l.]: Oxford University Press. p. 27. ISBN 978-0-19-958148-1. Consultado em 18 de agosto de 2013
  7. Roffman, Roger; Stephens, Robert S. (2006). Cannabis Dependence: Its Nature, Consequences and Treatment. [S.l.]: Cambridge University Press. p. 106-110. ISBN 978-1-139-44955-7. Consultado em 18 de agosto de 2013
  8. Sydney, Stephen; et al. (abril de 1997). «Marijuana use and mortality». American Journal of Public Health. Consultado em 18 de agosto de 2013
  9.  Nutt D, King LA, Saulsbury W, Blakemore C (2007). «Development of a rational scale to assess the harm of drugs of potential misuse»The Lancet369 (9566): 1047–53. PMID 17382831doi:10.1016/S0140-6736(07)60464-4. Consultado em 14 de julho de 2009
  10. McLaren, Jennifer; Lemon, Jim; Robins, Lisa; Mattick, Richard P. (Fevereiro de 2008). Cannabis and Mental Health: Put into Context. [S.l.]: Departamento de Saúde do Governo da Austrália. Consultado em 17 de outubro de 2009
  11. Harding, Anne (3 de novembro de 2008).  Reuters, ed. «Pot-induced psychosis may signal schizophrenia». Consultado em 2 de agosto de 2013
  12. Henquet, Cécile; Krabbendam, Lydia; Spauwen, Janneke; Kaplan, Charles (2004). Prospective cohort study of cannabis use, predisposition for psychosis, and psychotic symptoms in young people. [S.l.]: BMJ – British Medical Journal. Consultado em 13 de agosto de 2013
  13. Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP – Departamento de Psicobiologia
  14. Esperidião S, Ajeje R, Kopelman BI, Simões MJ, Evêncio-Neto J, Júnior LK. Chronic Effects of Acetylsacylic Acid on Pregnant Rats. Rev Bras Ginecol Obst. 1998;20(5):245-9.
  15. Ferreira PE, Martinib RK. Cocaine: myths, history and abuse. Rev Bras Psiquiatr. 2001;23(3):96-9.
  16. Viegas JRC, Bolzani VS. Os produtos naturais e a química medicinal moderna. Quím Nova. 2006;29(2):326-37.
  17. Joseph W. Jacob; Joseph W. Jacob B. a. M. P. a. (2009). Medical Uses of Marijuana. [S.l.]: Trafford Publishing. p. 129. ISBN 978-1-4269-1540-6. Consultado em 13 de agosto de 2013
  18. Food and Drug Administration, ed. (2006). «FDA: Inter-Agency Advisory Regarding Claims That Smoked Marijuana Is a Medicine». Consultado em 2 de julho de 2013
  19. American Society of Addiction Medicine, ed. (25 de julho de 2012). «State-Level Proposals to Legalize Marijuana»doi:10.1136/jech.2010.129056. Consultado em 2 de julho de 2013
  20. odiario.com, ed. (2 de junho de 2011). «Vírus da Aids tem avanço diminuído em macacos tratados com maconha». Consultado em 6 de agosto de 2013
  21. AIDSMEDS, ed. (27 de maio de 2011). «Marijuana Slows SIV Disease Progression in Monkeys». Consultado em 6 de junho de 2013
  22. Molina E., Patricia (Novembro de 2011). Louisiana State University Health Sciences Center, ed. «Cannabinoid Administration Attenuates the Progression of Simian Immunodeficiency Virus AIDS Research and Human Retrovirus» (PDF). doi:10.1089/AID.2010.0218). Consultado em 15 de agosto de 2013
  23. Eubanks, Lisa M.; Rogers, Claude J.; Beuscher, 4th; Koob, George F.; Olson, Arthur J.; Dickerson, Tobin J.; Janda, Kim D. (2006). «A Molecular Link between the Active Component of Marijuana and Alzheimer’s Disease Pathology»Institutos Nacionais da SaúdePMID17140265doi:10.1021/mp060066m. Consultado em 15 de agosto de 2013.

FORMAS DE MANIPULAÇÃO DA MACONHA
Composto Descrição
Folhas e flor Os termos maconha, erva, liamba ou marijuana referem-se às folhas secas das plantas Cannabis e às flores das plantas femininas.Este é o modo mais amplo de consumir-se cannabis. Contém um teor de THC que pode variar de 3% até 22%;em contrapartida, a Cannabis utilizada para produzir linhagens industrais de cânhamo contém menos de 1% do THC.
Kief O kief é feito a partir de tricomas (incorretamente referidas muitas vezes como “pólen”), retiradas das folhas e flores das plantas Cannabis. Kief também pode ser compactado para produzir uma forma de haxixe, ou consumido em forma de pó.
Haxixe O haxixe é uma resina concentrada, produzida a partir das plantas fêmeas da canábis. O haxixe é mais forte do que as folhas secas e pode ser fumado ou mastigado. A cor varia entre preto e dourado escuro.
Óleo de haxixe O óleo de haxixe é um óleo essencial extraído das plantas Cannabis por meio da utilização de diversos solventes. Possui uma elevada proporção de canabinoides (variando entre 40-90%).
Tintura Canabinoides podem ser extraídos da matéria vegetal da cannabis para criar uma tintura, muitas vezes referida como Green Dragon.
Infusões Existem muitas variedades de infusões de cannabis devido à variedade de solventes não voláteis utilizados. O material vegetal é misturado com o solvente e, em seguida, prensado e filtrado para expelir os óleos da planta para o solvente. Exemplos de solventes utilizados neste processo são a manteiga de cacau, manteiga de leite, óleo de cozinha, glicerina e hidratantes da pele. Dependendo do solvente, estes podem ser utilizados em alimentos de cannabis ou aplicados topicamente.
Deixe uma resposta